terça-feira, 8 de junho de 2010

Gothic Metal



Gothic metal (também conhecido como goth metal ou metal gótico) é um gênero do heavy metal que evoluiu do doom metal, e caracteriza-se por seu clima melancólico e um enfoque sombrio em temas como religião, sexualidade e morte. A maioria das bandas do gênero utilizam elementos da música erudita como coros e orquestras (produzidos, na maioria das vezes, por sintetizadores) e vocais líricos. O gothic metal está totalmente relacionado aos mais variados gêneros que existem dentro do cenário heavy metal. Mesmo possuindo uma certa influência do rock gótico dos anos 1970 e 80, o gothic metal não é de forma alguma um tipo de música gótica, pelo fato da subcultura gótica nunca ter tido nenhuma relação com o metal. Por essas e outras razões, discursos como "não existe gothic metal" já estão se tornando comuns nos dias de hoje. O gothic metal de fato existe, levando-nos a refletir se a origem do problema é realmente uma taxonomia musical. O termo foi cunhado por Nick Holmes, vocalista do Paradise Lost e o álbum Icon lançado em 1993 pela banda, já apresentava essa sonoridade.

Informações gerais Origens estilísticas: Heavy metal, Doom metal, Rock gótico Contexto cultural Início dos anos 1990 na Europa
Instrumentos típicos: Guitarra, baixo, bateria, vocal, teclados
Gêneros de fusão: Doom gothic metal
Cenas regionais: EUA, Reino Unido, Escandinávia, Alemanha, Itália, Finlândia Outros tópicos Bandas
  
Características
O goth metal é considerado um gênero musical bastante amplo gerando diversas discussões sobre o que é necessário para uma banda ser considerada do estilo gothic metal. Alguns pontos comuns entre estas bandas podem ser citados abaixo:
  • A afinação dos instrumentos de corda tende a ser mais grave que o normal (E); variam entre D (Tiamat, Paradise Lost), C# (My Dying Bride), ou até B (Type O Negative
  • Os teclados tem um papel de destaque neste estilo, muitas vezes substituíndo uma das guitarras. Os teclados são também utilizados para simular outros instrumentos em sua maioria de sopro ou de cordas. Os teclados tendem a auxiliar o baixo na criação da atmosfera e clima das canções. O gothic metal é conhecido também por suas sinfonias com violinos e flautas, e outros instrumentos orquestrais, e que são muitas vezes, feitos pelo teclado.
  • As características dos vocais é a personalidade feminina, mas algumas bandas, como a pioneira Paradise Lost, possui vocais masculinos. Os vocais masculinos podem ser tanto de um tenor ou barítono quanto guturais. Já os vocais femininos tendem a ser agudos e operísticos (geralmente soprano), por vezes cantados em um tom regular com vários efeitos de reverberação. Nos backing vocals temos a utilização de coros e de canto gregoriano.
  • A atmosfera das canções de gothic metal é sombria, porém sem a agressividade do doom metal ou a virtuose do symphonic metal e do power metal (estilos musicais às vezes associados ao gothic metal, por causa de bandas como Nightwish e Lacuna Coil.

Temática

As letras do gothic metal abordam geralmente religião, horror, romances, histórias de fantasia e também em histórias fantásticas (Mitológicas) e medievais, que quase sempre terminam em tragédia para as partes envolvidas. O cenário destas histórias é geralmente medieval ou New Age, mas muitos também se passam na era vitoriana, era romana ou na era moderna. Estas características são notadas em diversas bandas de gothic metal porém não são um pré-requisito.
O metal gótico é permeado pelo lado obscuro do imaginário judaico-cristão. Alguns exemplos:
  • A banda inglesa Paradise Lost tirou seu nome do poema épico de John Milton, O Paraíso Perdido (1667), onde Lúcifer é tratado como uma figura trágica.
  • Os suecos do Tiamat tiraram seu nome de uma divindade suméria, uma "serpente do abismo" que luta com Deus no momento da criação do mundo.
  • Type O Negative: "Christian Woman".
  • AMOS: Banda leva nome de profeta bíblico e tem forte cunho religioso em suas canções.
  
Precursores
Os primórdios do gothic metal já podem ser vistos em três bandas dos anos 1980.

  

Christian Death

O gênero death rock, através de bandas como Christian Death, teve grande influência no que seria futuramente o gothic metal, mas esta influência parece vir dos últimos trabalhos da banda com Valor Kand, que considerava o estilo da banda como um tipo de heavy metal diferentemente da formação original da banda com Rozz Williams, época na qual a banda possuia grande influencia do punk rock e glam rock.
Apesar de Rozz Williams nunca ter negado suas raízes hard rock - especificamente o Kiss e Alice Cooper -, com a saída dele o Christian Death tendeu visivelmente ao Heavy metal. Um exemplo disso é Born in a Womb, Died in a Tomb, faixa de abertura do álbum All the Hate (1989); essa música têm alguns elementos bem explícitos do Thrash metal.
Apesar de sua fusão pioneira entre metal e rock gótico, a música do Christian Death não transcendeu o círculo composto pelos fãs de Death Rock. A oportunidade disso acontecer veio quando a Century Media quis lançar o seu disco duplo ao vivo deles, o Amen (1995); essa oportunidade veio água abaixo quando a Century Media descobriu que a banda tinha pêgo a arte da capa sem a devida autorização, forçando a gravadora a retirar o disco do mercado.

 Samhain

Temos também o caso Glenn Danzig, então ex-vocalista do The Misfits. Danzig continuou sua empreitada musical montando o Samhain, que aproximava o horror punk de sua ex-banda com o heavy metal. O Gothic metal também pode ser visto aqui em suas formas embriônicas, apesar do Samhain exibir um humor macabro discrepante com a "seriedade" dos seus equivalentes europeus. Assim como o Christian Death, a música do Samhain teve pouca repercussão sobre o gothic metal contemporâneo. Apesar disso, algumas bandas de Black Metal gravarem covers da banda (como o Marduk e o Cradle of Filth).

Celtic Frost
Os suíços do Celtic Frost foram de fundamental importância para o desenvolvimento do goth metal europeu. O grupo é uma influência assumida do My Dying Bride, Katatonia, Paradise Lost,Moonspell,Tiamat, The Gathering e muitos outros que ajudaram a moldar o estilo para o que ele é hoje.
O Celtic Frost foi um grande pioneiro dentro do metal extremo, porque:
  • Eles não tinham a mesma obsessão por velocidade que era característica de seus contemporâneos (Slayer, p. ex.). Preferiam compor músicas mais lentas, que pudessem exibir mais variedade.
  • O grupo usava freqüentemente elementos de música erudita nas suas composições: vocais em falsete, tímpanos e metais.
  • A banda fazia experimentos com a música ambiente. Dois exemplos: "Danse Macabre", do EP Morbid Tales (1984) e "Tears in a Prophet’s Dream", do álbum To Mega Therion (1985).
  • Tom Warrior (vocalista e guitarrista) foi um dos primeiros – senão o primeiro – a intercalar vocais "brutais" com uma voz "gótica", mais suave (porém sombria). A faixa "Mesmerized" do Into the Pandemonium (1987) é um exemplo vivo disso.

 Historia                                                                                                                                                      
O gothic metal surgiu no início da década de 1990, na Europa e nos Estados Unidos.

Estados Unidos

Nos EUA o estilo foi capitaneado pelo Danzig, Shadow Project (a então nova banda de Rozz Williams) e o Type O Negative (à partir do Bloody Kisses). O Christian Death segue logo depois, assumindo definitivamente a influência do heavy metal com três dos melhores álbums de sua carreira: Sexy Death GodProphecies (1996) e Pornographic Messiah (1998). (1994),
Mesmo tendo o mérito de aparecer ligeiramente antes dos grupos europeus de goth metal, os representantes do estilo nos EUA tem uma grande desvantagem: eles nunca fizeram parte de uma "cena" coesa, tendo pouco ou nenhum contato entre si (com exceção das brigas entre o Christian Death pós-Williams e o Shadow Project).

Europa

Na Inglaterra o trio do Northern Doom escreveu as regras do jogo. O passo inicial foi dado pelo Paradise Lost, no seu paradigmático Gothic (1991). Ainda com a sonoridade doom / death metal do primeiro disco (Lost Paradise, 1990), a banda no entanto se aventura bem além dos limites estreitos do metal extremo da época. Assim como o Celtic Frost o Paradise Lost incorpora vocais "líricos", tímpanos e arranjos orquestrais (emitidos através de um sintetizador). Ele também cria dois elementos que compoem a formula básica do gothic metal:
  • Uma guitarra "base" fazendo power chords enquanto uma outra faz fraseados "melódicos" repetitivos, nas cordas mais agudas;
  • As guitarras tocando riffs num intervalo (música) de 5º ou 6º nas cordas mais graves.
Depois de gothic explodiram bandas de doom / death metal pela Europa inteira, entre 1992-1994. Muitas delas iriam mais tarde fazer parte da 2º geração do goth metal: Amorphis,Crematory, Cemetery e Theatre of Tragedy, entre outros. Algumas chegaram nesse mesmo caminho independente do Paradise Lost, como foi o caso do Tiamat e o My Dying Bride.

Os primeiros discos de gothic metal

O primeiro disco de gothic metal - apesar do termo ainda não ter sido cunhado - foi Icon (1993), do Paradise Lost. A banda simplificou suas músicas e se livrou dos riffs de death metal e dos andamentos lúgubres do doom metal. Nick Holmes também substituiu o seu vocal gutural por um timbre de voz bem parecido com o de James Hetfield (Metallica).
No mesmo ano é lançado Serenades do Anathema. Apesar de musicalmente situado dentro do doom / death metal, não tendo, assim, nada do que hoje é considerado gothic metal, o álbum tinha uma faixa, "Sleepless", um meio termo entre The Cure e Metallica que viria a ser, diretamente ou indiretamente, um modelo a ser seguido no emergente gothic metal.
Por último temos o Wildhoney (1994), do Tiamat. Considerado inclassificável quando lançado (não parecia com nada do underground metállico da época), o disco criou um novo precedente no mundo do metal. Wildhoney juntou mundos díspares - Slayer com Pink Floyd por ex. - e acabou sendo um dos álbums que definiu o gothic metal. Seu clima melancólico, seus experimentalismos floydianos e alternância de Edlund entre seu vocal gutural e seu vocal mais "cantado" ainda servem de referência até hoje para muitas bandas de gothic metal.
 Rumo ao mainstream

 Type O Negative

O primeiro "disco de sucesso" do gênero foi o Bloody Kisses (1993), do Type O Negative. O disco em questão tinha uma versatilidade e apelo "pop" muito superior ao dos seus contemporâneos europeus; Bloody Kisses conseguia mesclar de forma coerente Hardcore punk ("Kill All the White People"), Industrial (as várias vinhetas do disco) e Pop psicodélico ("Set Me On Fire", "Can't Lose You"). O Bloody Kisses deu várias oportunidades à banda: foram incluídos no tributo ao Black Sabbath (Nativity In Black, 1994) e fizeram turnês ao lado do Danzig, Pantera, Nine Inch Nails e Mötley Crüe. O TON também teve uma música sua incluída na trilha do filme Mortal Kombat (1995), um disco de platina nos EUA.
Cabe dizer que até hoje já foram vendidas mais de um milhão de cópias de Bloody Kisses só nos Estados Unidos. A banda também conseguiu um disco de ouro por October Rust (1996).

 Paradise Lost

O Bloody Kisses europeu foi Draconian Times (1995), do Paradise Lost. Nesse época a banda já tinha conseguido vender mundialmente 1 milhão discos, um marco na história do metal underground só alcançado depois pelo Cannibal Corpse e Cradle of Filth.
Dez anos depois, o Paradise Lost conseguiu dobrar essa marca - mesmo sem nunca ter conseguido um só disco de ouro ou platina. Há também rumores persistentes de que disco Icon (1993) teria ultrapassado as vendas do álbum hômonimo do Metallica na Alemanha, o que não é bem verdade.

Controvérsias _O que é - e o que não é - gothic metal

A grande ironia do gothic metal contemporâneo é o fato de que seus grupos mais bem-sucedidos não são do gênero. A culpa dessa confusão vêm uma visão estereotipada do gothic metal: bandas de metal ou rock com vocalistas femininas e floreios neoclássicos. Essa generalização acaba englobando bandas como Evanescence, Nightwish, Epica, Within Temptation e After Forever.

 Evanescence

O problema é que de fato o Evanescence não seria realmente gothic metal, e sim simplesmente uma versão com vocal feminino do Linkin Park. Essa leitura musical do Evanescence é reforçada por vários fatores:
  • O refrão do maior hit da banda, "Bring me To Life", parece com um típico refrão do Linkin Park: um progressão simples de power chords em afinação grave, com alternância entre vocais "melódicos" e "rapeados" e um fundo rítmico onde a bateria faz um groove "pesado", bem "metálico".
  • Tão parecido é esse refrão com os da banda Linkin Park que até os vocais "rapeados" feitos por Paul McCoy são praticamente idênticos aos de Mike Shinoda, tanto no timbre quanto no ritmo em que são falados / cantados. (Há rumores inclusive que o mesmo foi chamado para participar justamente nessa faixa).
  • O próprio ex-guitarrista da banda, Ben Moody, disse numa entrevista à MTV que o Evanescence eram uma banda Nu metal com uma "pegada" de rock gótico.
  • Quanto ao resto do álbum Fallen gera controversas devido a faixas como Haunted e Whisper, as quais, se assemelham ao gothic metal.
Isso tudo não quer dizer que o Evanescence é ou não gothic metal ou que algumas músicas deles não possuam características semelhantes à temática usada no estilo. Seu público, composto em grande parte por adolescentes, bate constantemente nessa tecla por desconhecerem o que pode ser chamado de gothic metal.

 Nightwish

Outra banda frequentemente confundida como banda de "metal gótico" é o Nightwish. Numa entrevista cedida ao site espanhol Hall of Metal, Tuomas Holopainen (Tecladista e líder do Nightwish) disse o seguinte à respeito dessa questão:

Eu não considero o Nightwish uma banda de metal gótico. Esse estilo musical é característico do Paradise Lost, Type O Negative ou Lacrimosa no começo de suas carreiras. Talvez pudéssemos ser gothic metal pelo conteúdo de nossas letras, mas mesmo assim eu penso que não temos nada a ver com o estilo.
Tuomas Holopainen

Numa outra entrevista Holopainen afirma que o Nightwish é "Heavy metal melódico com uma voz feminina". A banda na realidade enquadra-se no Symhonic/Power Metal. Até as influências do Nightwish são distintas da maioria dos grupos de gothic metal: Stratovarius,Megadeth e as trilhas sonoras de Hans Zimmer, Danny Elfman, James Horner e Michael Nyman.
Quanto à Epica, Within Temptation e After Forever, pertencem ao virtuoso e um tanto mais mainstream Symphonic Metal, ainda que certas canções lembrem o Gothic Metal por um eventual clima sombrio. Porém, Within Temptation, em seu primeiro álbum, Enter, e em algumas faixas do segundo Mother Earth, possuía definitivamente o estilo gothic metal, com alguma influência doom metal.

Rixa dos góticos com o gothic metal

O metal gótico atraiu muitos neófitos para a cena gótica. Entretanto, ele foi também alvo de críticas por veteranos dessa mesma cena. A maioria dos "antigos góticos" não aceitam o gothic metal pelo fato da raíz do estilo ser o metal. O metal é considerado por eles um estilo machista e misógeno. Além do mais, sua ênfase em guitarras "pesadas" e temáticas agressivas não condiz com a "alma feminina" do gótico, e pelo fato de algumas bandas serem introduzidas à mídia muito facilmente, e por acabar classificando toda banda que tenha vocais femininos e instrumentos sinfônicos como uma banda gótica. É como se os goth rockers fossem vampiros e os goth headbangers fossem lobisomens, sendo os dois criaturas da noite sombria. A mulher idealizada no goth rock geralmente tem forte apelo sexual e niilista auto-destrutivo, enquanto no goth metal a mulher idealizada pode variar de uma rainha infernal a uma donzela triste das épocas antigas.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Liv Kristine "Skintight"

A cantora Liv Kristine (LEAVES' EYES) divulgou detalhes sobre o seu novo álbum solo, intitulado “Skintight”. Com lançamento via Napalm Records, o disco chega às lojas da Europa no dia 30 de agosto e na América do Norte no dia seguinte.
O track-list e a capa do álbum estão a seguir:

01. Skintight
02. Twofold
03. Train to Somewhere
04. Love in Grey
05. Emotional Catastrophes
06. Life Line
07. Boy at the Window
08. Wonders
09. Versified Harmonies
10. The Rarest Flower

domingo, 6 de junho de 2010

Lado a Lado



A lua,
Soberania dos céus
Derrama seu véu de prata
Sobre o nosso santuário de amor:
Calmo, silencioso, sombrio
Sobre os túmulos,
Contamos estrelas,
Dividimos sonhos,
Fazemos amor...
Esquecendo assim as angustia, amarguras,
Restritas ao mundo da luz
Distante do nosso reino de trevas:
Translúcido, único e sincero
Em eterna quietude,
Calmaria quebrada somente pelo ruído dos ventos
Fazendo a folhagem seca,
Nesse cenário mórbido e brilhante, dançar
Ah, Amada! Única flor em meu destino
Companheira das noites eternas e flébeis
Quando o mundo da luz desmorona em espinhos,
Faz a vida renascer sobre os túmulos...

De Tiago Dotto (Goticus Eternus)

Apocalyptica: revelada a arte gráfica de novo álbum

A banda finlandesa APOCALYPTICA irá lançar seu sétimo álbum de estúdio, "7th Symphony", no dia 23 de agosto. A maioria do álbum foi produzido por Joe Barresi (TOOL, QUEENS OF THE STONE AGE, BAD RELIGION), com outras duas músicas produzidas por Howard Benson (MY CHEMICHAL ROMANCE, MOTÖRHEAD, PAPA ROACH). O primeiro single, "I'm Not Jesus", conta com a participação de Corey Taylor (SLIPKNOT) nos vocais.
Confira abaixo a arte gráfica do álbum "7th Symphony"

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Cultura Gótica



Nos últimos anos, temos visto um grande número de informações sendo divulgadas sobre "góticos", sem critério e conhecimento empírico. Infelizmente, estas informações favoreceram o surgimento de inúmeros mitos e consagraram alguns equívocos, emergindo um inesgotável acervo de rótulos, teorias e denominações, muitas vezes precipitadas e não coerentes, tanto à Subcultura Gótica/Darkwave quanto à Cultura Obscura.
Devido a alguns fatores comuns, a cultura obscura surgida em meados da década de 90, foi associada à subcultura gótica que se consolidou na década de 80. Os adeptos da cultura obscura foram, genericamente, denominados góticos. Partindo deste princípio, aspectos comportamentais e artísticos da cultura obscura foram classificados como "goticismo". Sendo que este termo, originalmente, refere-se apenas à Literatura Gótica. Desse modo, as duas manifestações, subcultura gótica e cultura obscura, que são significantemente distintas, mas também cultivam pontos comuns, foram erroneamente classificadas como uma mesma manifestação.
A associação entre cultura obscura e subcultura gótica, gerou um falso conceito de que a cultura obscura seria uma "evolução" da subcultura gótica. Esta idéia pode ter sido indiretamente fortalecida pela indústria fonográfica especializada e suas distribuidoras, e por revistas que atuam no segmento do Metal, ao difundir o Gothic Metal, um dos gêneros musicais mais consumidos na cultura obscura.
O rótulo Gothic Metal faz pressupor que este seria um "novo estilo que fez ressuscitar a extinta subcultura gótica". Mas é preciso salientar que a subcultura gótica nunca se extinguiu; pelo contrário, mantém-se ativa e renovada desde sua origem nos anos 80. Portanto, em hipótese alguma, a cultura obscura é, nem pode ser considerada, uma evolução ou um aprimoramento da subcultura gótica.

O termo Gótico
  Originalmente, o termo gótico significa apenas relativo a Godos ou proveniente deles. Porém, é notório que o termo é utilizado, pelo menos, desde o século XV, para designar algo que não possui relação com seu significado primitivo. Como exemplo, no período da Renascença, o termo foi utilizado para referir-se, de forma depreciativa, à arte escolástica medieval, classificando-a como "arte gótica". Ainda, gótico classificou um subgênero literário surgido no século XVIII que remetia à Idade Média sob uma visão sombria. Recentemente, a partir da década de 1980, passou a denominar a subcultura que emergia naquele momento.
Neste caso, o termo Gótico é aplicado como "sinônimo" de imaginativo, irracional; "que ousa penetrar nas trevas da mente e terrível condição humana". O termo divulgado pela mídia e adotado por algumas bandas prevalece a partir de 1983/84.
Por outro lado, o termo gótico, se aplicado à cultura obscura e seus adeptos, pode fazer sentido se considerado que o mesmo foi utilizado, no século XVIII, para classificar a Literatura (gótica), como sinônimo de obscuro ou medieval, sendo estas características muito presentes na cultura obscura. Portanto, neste caso, gótico é utilizado com um significado já existente, e aplicado numa outra situação.
Atualmente, o conceito brasileiro do significado do termo gótico, quando aplicado à subcultura, é muito amplo. Alguns consideraram gótico, boa parte do que foi produzido musicalmente a partir de meados da década de 1980. Ainda, considerando o termo gótico, quando aplicado à cultura obscura e seus adeptos, este conceito amplia-se mais.


Temas & Abordagens
O que define uma determinada corrente artística, filosófica ou sócio-comportamental, por exemplo, não são apenas os temas adotados, mas principalmente a abordagem, ou seja, a forma como estes temas são trabalhados, interpretados e expostos. Este conceito também pode ser usado para definir com mais clareza algumas diferenças entre subcultura gótica/darkwave e cultura obscura. Muitas vezes, ambas abordam temas comuns sob perspectivas distintas.
A expressão artística da subcultura gótica, não se baseia em temas específicos, mas principalmente, em uma abordagem própria. Já a cultura obscura faz uso de uma variedade menor de temas. Porém, para a produção artística da cultura obscura, os temas são, proporcionalmente, mais significativos do que na subcultura gótica; e as abordagens são feitas, geralmente, através de uma perspectiva romântica.
Por exemplo, quando abordamos determinados temas comuns, a subcultura gótica pode interpretá-los através de uma perspectiva vanguardista. Por outro lado, a cultura obscura os interpreta sob um ponto de vista romântico. A banda inglesa Joy Division pode ser citada como um exemplo simplificado. Na cultura obscura, Joy Division é valorizado principalmente pela atmosfera noturna de suas músicas; além do "mito romântico" que Ian Curtis tornou-se após o suicídio. Na subcultura gótica, estes fatores não são tão significativos, abordando principalmente, a música da banda no seu contexto histórico e suas referências. Em outro exemplo, agora literário, Allan Poe é valorizado, principalmente, como poeta e contista, quando abordado na cultura obscura. No contexto da subcultura gótica, é apreciado pelo conjunto de sua obra em todas as fases; não apenas pela sua fase romântica.

Subcultura Gótica/Darkwave
  A subcultura gótica é um movimento sócio-cultural envolvido num contexto artístico e comportamental, que abrange manifestações artísticas como a música, literatura, cinema, artes plásticas e vestuário (moda), entre outras expressões. Estes elementos atuam de modo a intensificar e multiplicar os outros componentes.
A origem da subcultura gótica ocorreu nos primeiros anos da década de 1980. Porém, suas influências primitivas encontram-se no movimento romântico do século XIX. Ainda, inclui elementos do Modernismo do século XX, como o Impressionismo, Expressionismo, Surrealismo e Cabaret Culture. Mas a denominada Geração Beatnick é a influência mais recente e significativa da subcultura gótica, tendo seu surgimento aproximadamente a partir de 1950, e sendo baseada na moderna boemia francesa, com um forte apelo artístico/filosófico.
Musicalmente, a subcultura gótica traz bandas "clássicas" como Joy Division, Bauhaus, The Sisters of Mercy, Siouxsie and The Banshees, Alien Sex Fiend entre outros do período oitentista. Na década de 90, artistas como London After Midnight, Faith and Muse e Clan of Xymox deram continuidade no constante processo de renovação da subcultura. Há ainda uma variação de estilos que surgem, ou são abrigados no universo da subcultura, como o Dark Ambient.
Deste modo, fica claro que a subcultura possui bases sólidas e nítidas em sua origem e desenvolvimento, e continua sendo cultivada, ampliando-se em todas as partes do mundo. Compondo, assim, um constante processo de renovação há mais de duas décadas.

 Cultura Obscura
A Cultura Obscura caracteriza-se por valores individuais. Neste caso, aborda-se personalidades que convergem em aspectos comportamentais semelhantes e tendem a buscar expressões artísticas identificáveis com a própria personalidade.
Assim, na cultura obscura e, conseqüentemente, entre seus adeptos, é possível determinar alguns elementos comuns, como a valorização e contemplação das diversas manifestações artísticas. Além de uma perspectiva poética e subjetiva sobre a própria existência; uma visão positiva sobre solidão, melancolia e tristeza; introspecção, medievalismo, entre outros. Essas e outras características podem ser associadas a alguns elementos comuns ao romantismo do século XVIII. Por outro lado, a cultura obscura também pode abrigar aspectos que sugerem um "contramovimento social", embora não haja uma apologia social ou política.
Não há um ponto de partida específico para designar a origem da cultura obscura. Mas, pode-se supor, que tenha surgido na segunda metade da década de 90, como um "derivado" da subcultura gótica, reunindo indiretamente e intensificando seus elementos românticos.
Ao abordar as manifestações artísticas reunidas pela cultura obscura, encontram-se elementos aparentemente díspares, mas que, mesmo não sendo consumidos por todos os seus adeptos, também não são rejeitados.
Nesse contexto, na música, podemos citar estilos derivados do Metal, como o Gothic Metal, Doom Metal e Metal Sinfônico, por exemplo. Mas há ainda outros estilos como o Ethereal (Dark Ambient) e uma parcela do que foi denominado pós-punk. A literatura abriga autores do ultra-romantismo e do Romantismo de uma forma geral. Ainda, escritores (poetas e contistas) da Literatura Gótica, como Byron e Allan Poe.
Não há necessariamente uma interação entre os adeptos da cultura obscura, pois não se caracteriza como um grupo (coletividade) ou uma "tribo urbana", mas apenas um conjunto de indivíduos que se identificam com determinados aspectos comportamentais e artísticos.
Há alguns pontos comuns; mas há também grandes diferenças entre cultura obscura e subcultura gótica. A "área de intersecção" é muito sutil. Porém, ambas são manifestações autênticas que consolidaram uma identidade ao longo do tempo.
“Creio ter reunido evidências suficientes para concluir que os góticos (tanto os clássicos quanto os neogóticos) constituem a tribo mais culta de todo o universo underground. Há amplas evidências a favor disso (ainda que alguns góticos clássicos como eu não sejam “do underground” em concepção).
As produções literárias, artísticas e cinematográficas acumuladas por muitas décadas e que configuram expressões do goticismo são em número imensamente superiores a qualquer outro agrupamento difuso (perdendo para organizações mais antigas como a Maçonaria e semelhantes, que tiveram coesão grupal e mais tempo para influenciar culturas).

Eu vejo o goticismo como um dos grandes celeiros da pós-modernidade. Se o interesse coletivo dos góticos fosse unificado em um objetivo comum, e devido às características que configuram o goticismo, se teria força para engendrar perspectivas críticas que poderiam ser muito úteis para a sociedade. Num mundo onde a violência parece transbordar todos os limites, a noção do pensamento e atitude pacífica dos góticos ressalta seu papel até mesmo social, como exemplo de possibilidade de tribos urbanas que podem viver em paz. Aliás, eu vejo o goticismo como uma expressão viva da liberdade de pensamento e do respeito à individualidade.
    
Enfim, onde se parece haver um contraste tão grande entre o racional e o emocional, e onde se fala tanto sobre a escolha entre ser um ou outro, o goticismo traz uma mensagem de que é possível o conhecimento científico e a erudição sem a perda do encanto, da poesia e do romantismo. E de que, numa analogia bem específica, mas que deve ser estendida a todas as outras esferas, tão importante quanto “aprender a técnica de pintar” seria aprender a ter prazer com a pintura. Mesmo como está o mundo e a vida ainda têm belezas suficientes para encantar os espíritos sensíveis. Eu acredito que essa pode ser a nossa grande mensagem, tanto dos góticos tradicionais quanto dos surrealistas.”

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Pesadelo


Enfim tem início o ritual
Estou em um tempo que não é um tempo
Sob meus pés, os minutos cortantes, jamais banais
Eu estou fora, mas também estou dentro

Este é um lugar que não é um lugar
Cravado em um dia que não é um dia

Inspiradora lua venha me guiar!
Estou no limiar entre as eras
Tocado e beijado pela brisa fria

Dos Mistérios, teceu-se um véu
Domo as Belas, beijo as Feras

Que os Antigos me ajudem a beber da taça
Protejam minha viagem e meu corpo ao léu
Pois que assim seja, assim se faça!

Pois não estou vendo castelos ruírem
E sim meu corpo cansar antes da alma
Não defrontei com cruzes, tridentes, ou espadas
Deparei-me com a frieza humana

A me confortar, não vieram constelações angelicais
Nem mesmo luz na escuridão
Mas me fortaleço, em palavras vindas de lugares distantes
E de companhias inseparáveis de meu coração

Não estou solidão, me vejo aprendiz sem giz
Guardo o quadro negro na memória de cada segundo
Resisto o desespero que me afronta
Na minha dor não à tempo para sonhar

Só o desejo de acordar, acordar de ti,
PESADELO...

De Tiago Dotto (Goticus Eternus)

Eluveitie - Everything Remains (As It Never Was)


Com este novo trabalho, o Eluveitie conseguiu colocar decididamente seu nome entre os gigantes do Folk Metal, não só europeu como também mundial. O grupo suíço consegue reunir neste “Everything Remains (As It Never Was)” todos os elementos que já os consagravam como grande expoente do gênero: tem um pouco do peso e da velocidade de debut “Spirit”, um tanto das melodias melhores trabalhadas de “Slania” e bem mais da celticidade que se ouviu no experimental “Evocation I: The Arcane Dominion”.

De certa forma, eles conseguiram criar uma equação perfeitamente balanceada entre todos esses elementos, atinge um nível de maturidade musical muito interessante, nos mostrando um fôlego novo para um estilo que vem ficando extremamente saturado. “Everything Remains (As It Never Was)” é um disco que não se parece com nenhum dos outros já lançados, é diferente, tem arranjos bem diferentes, mas que mantem a essência e o espírito que a banda sempre teve. E conseguir algo assim, já garante muitos pontos prós para a banda!
Mas vamos às faixas: “Otherworld” é uma introdução soturna, com narração melancólica enfeitada por gaitas e flautas que lhe garantem um clima quase místico e hipnótico. A faixa-título, “Thousandfold” (Single com um clipe muito bacana), “Nile” e “The Essence of Ashes” formam uma sequência de muito peso, flautas aceleradas e variações muito interessantes de vocais que dão um clima inovador ao som da banda.
Em seguida chega a instrumental e belíssima “Isara”, que soa quase como mágica. “Kingdome Come Undone” retorna com o peso e a violência, e mais uma vez se ouve nitidamente o amadurecimento musical atingindo pela banda. “Quoath the Raven” e “(Do)Minion” seguem na mesma batida de força, velocidade e intensidade; na sequência mais um interlúdio instrumental (também lindo) “Setlon”, que rapidamente dá lugar para a cavalgante “Sempiternal Embers” e a quase dançante “Lugdunon”.
E para fechar com chave de ouro um epílogo instrumental emocionante, “The Liminal Passage”, que tem uma aura de despedida, triste, que dá a imagem de alguem se afastando em meio a névoa....
Ainda vale ressaltar a arte gráfica muito elegante e bonita assinada por Travis Smith e Manuel Vargas. A fonte das letras do encarte parecendo runas ficou algo fabuloso!
Por fim, um álbum maravilhoso, que pode não ser perfeito mas mesmo assim pode ser encarado como o melhor trabalho destes suíços muito competentes.
Track List:
1. Otherworld - 1:57
2. Everything Remains (As It Never Was) - 4:25
3. Thousandfold – 3:20
4. Nil – 3:43
5. The Essence of Ashes – 3:59
6. Isara – 2:44
7. Kingdome Come Undone – 3:22
8. Quoath the Raven – 4:42
9. (Do)Minion – 5:07
10. Setlon – 2:36
11. Sempiternal Embers – 4:52
12. Lugdunon – 4:01
13. The Liminal Passage – 2:15




 Site Oficial:  http://www.eluveitie.ch/
 Myspace oficial:  http://www.myspace.com/eluveitie