segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ao Luar


 

Quando, à noite, o Infinito se levanta 
Á luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha tátil intensidade é tanta
 
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!
Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
 
Grandeza o orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado
 
Nos paroxismos da hiperestesia,
O Infinitésimo e o Indeterminado...
Transponho ousadamente o átomo rude
 
E, transmudado em tolerância fria.
Encho o Espaço com a minha plenitude!

Augusto dos Anjos

Nenhum comentário:

Postar um comentário